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Mostrando postagens de 2009

Silêncio

Estava eu sentado, naquele velho e esquecido muro. Numa tarde em que o silêncio e o ofuscar do Sol invadiam o ambiente e os sentidos. Vi ao longe, à minha direita, um lago calmo e monótono e já tão esquecido pelas vidas terrestres. Nessa monótona tarde em que ocupo a minha mente escrevendo e refletindo coisas tão distantes. A paz que desencadeia meu espírito me obriga a sentir o frescor da brisa tardia e observar a bela paisagem que preenchem toda minha visão turva e embaçada, causada pela luz solar, mas que mesmo assim insisto em apreciar essa natureza já tão corrompida pelas mãos insensatas do Homem. Olho ao longe, tentando achar alguma forma de vida que se destaque das demais. Mas nada vejo... Apenas as águas agitando-se sutilmente em harmonia com a direção dos ventos. E o leve balançar dos galhos arbóreos e um pouco rasteiros. No meio dessa mistura de sons que acabam por se confundir com o silêncio, ouço ao longe, do meu lado esquerdo, onde as mãos do Homem já deixaram drásticas f...

A Sombra de Um Poeta.

Caminhou pelos vales de soturnas melancolias Escreveu sob lápides profundas monotonias Deixou de ser poeta para viver uma utopia E sentiu que amou como nunca amaria. Ouviu palavras que ecoavam alegrias Empalideceu o rosto, as mãos suando frias Chegou ao coração de quem nunca chegaria E alimentou esse amor com desejo e selvageria. Fechou os olhos e imaginou com supremacia Despertou e não sabendo o que acontecia Olhou no espelho e viu que era apenas fantasia Acreditou por um instante que era tudo magia Viu que no espelho sua sombra refletia E chorou finalmente porque o Nada existia. Por: Amadeo Fernandes Lovecraft. [Pseudo: Mistinguett]

Acre-doce.

Num dia um sentimento é construído, renovado; no outro instante, destruído, desolado. Viver pra ser só! Infortúnio!! Como posso arriscar minha pobre vida por outrem, e passar toda uma vida equilibrando-se numa frágil linha esperando pela sorte, ou talvez pela morte? Consumido pela insegurança e pela incerteza, juntamente com um medo pairando sobre minha consciência. Viver assim é possível? Talvez eu consiga, mas ver meu amado nos braços da morte, sem poder ampará-lo, definhando moribundo, sem poder senti-lo totalmente e cruamente seria muito doloroso... Amo, mesmo que por alguns instantes o tive, e até mesmo que não possa tê-lo, amarei. Carregarei em minhas memórias essa união do platônico com o realismo. Tu me ensinaste como viver nessa linha intermediária, mostrou-me o reflexo de um no outro, completando-se, encontrando-se. Esse momento será perpetuado enquanto este coração bater. Perdoe-me por negar este amor, mas será melhor assim, sofreremos menos. E o sentimento de culp...

Subliminar.

Desejo febril que me consome o ar Anseios do mundo, sôfrego amar. Faz-me sentir numa dolorida noite Espinhos como num velho açoite. Desejo sutil que me leva a cantar Faz minha garganta sangrar sem parar. Quero escrever-te, mesmo num túmulo Esteja-eu, e tu agoureis moribundo. Repare nas entrelinhas, daqueles versos mudos O teu nobre nome imaculado escrito! Mesmo que encontres, ainda tardio... E depois quando eu me for Que ainda restem um pouco do amor Dos meus versos, rasuras que sobrou! Por: Amadeo Fernandes Lovecfraft [aka: Mistinguett]

Sanatório.

Deparo-me com o branco, débil padecer, Brancura pura e vazia, que me faz esmorecer. Ao contrário do cego, que só o negro pode ver Nesse quarto em que estou, branco enlouquecer. Dizem que sou doudo, nem sei o por que Mas viver nesta vida, sem ter nem pra quê É difícil viver; sonhar, sentir, amar. Mas não é difícil num sanatório parar. De todos que já ouvi, observei e falei Não encontrei respostas sequer sensatas, À perguntas vãs, sutis e ponderadas. Eis-me aqui, tais perguntas proferindo. Será que demente sozinho estou, Ou com todo o resto do mundo? Por: Amadeo Fernandes Lovecraft [aka: Mistinguett]

Versos Incertos.

Preciso do teu ar, do teu abraço, do teu beijo, do teu cheiro, do teu carinho, do teu jeito! Pois quando ler isto já é tarde, fui embora, agora sinto apenas saudade! Agora resta-me esperar Para em teus braços me entregar Novamente, como uma criança Que aprende a amar. Por: Amadeo Lovecraft.

Por Ti.

Por ti eu desejei, Que toda a minha dor Se transformasse em amor, Como eu jamais pensei. Por ti usei máscaras Que transfiguraram minha existência Fui quem tu desejaras, Ao longo de nossa vivência. Mas o Teatro acabou, Não posso mais ser, Ser o que não sou. Minh’alma anseia pela morte Quem sabe ela me aceite, Quem sabe ela me conforte... Por: Amadeo Lovecraft [Mistinguett]

Purgatório.

Tão insaciável quanto à obsessão, Tão prazeroso quanto à paixão, Esse meu desejo por ti, que Faz-me dilacerar a carne, Acima da minha vontade. Oh! Pare! Pare de seduzir-me! Se não posso ter você, Eu não quero mais sofrer! Chega de iludir-me! Ainda sinto o teu cheiro, Impregnado em minha carne Esse martírio, Esse veneno, Só enfatiza o meu desejo. Tuas entranhas, nunca as toquei, Teus lábios, nunca os beijei, Mas, de teu veneno eu já provei. Mas sei que um dia eu te encontro Talvez noutra vida Mas por ti, à Deus imploro Que me deixes no purgatório. Por: Amadeo Lovecraft [Mistinguett]