Do Éter,
em precipitação - Eu preciso senti-la percorrendo pelo meu corpo. Olhar para o céu nublado, ver os pingos em minha direção. Eles me atravessando. A alma. O frio me cobrindo. O barulho me entorpecendo. Abro os braços. Tento receber mais gotas em meu corpo. É infinito. Posso sentir que não acaba. Vem outro trovão e certifico que ela continuará. O frio aumenta. O vento corta meu rosto como lâmina gelada. Gosto da sensação. Então corro. Sem rumo. Tento sentir o frio mais forte. A chuva me segue, mas contra mim. Eu encharcado, me dispo. O frio aumenta. Sinto-me desprotegido. Não, transparente. Como que pela primeira vez eu pudesse ser eu mesmo. Deito. Só vejo tons em cinza. Nada no pensamento. Só liberdade. Então esqueço. Acredito que esqueço, porque não lembro nada. Vazio. Feliz. Vazio nunca me deixou tão completo! Sorrio. Chuva escorre pelos meus olhos. Não sei o que é chuva, o que é lágrima. Tudo é análogo. Uma cor só. Fecho os olhos. Sinto meu corpo voar. E vôo! Olhos ainda cerrados...