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Mostrando postagens de junho, 2009

Subliminar.

Desejo febril que me consome o ar Anseios do mundo, sôfrego amar. Faz-me sentir numa dolorida noite Espinhos como num velho açoite. Desejo sutil que me leva a cantar Faz minha garganta sangrar sem parar. Quero escrever-te, mesmo num túmulo Esteja-eu, e tu agoureis moribundo. Repare nas entrelinhas, daqueles versos mudos O teu nobre nome imaculado escrito! Mesmo que encontres, ainda tardio... E depois quando eu me for Que ainda restem um pouco do amor Dos meus versos, rasuras que sobrou! Por: Amadeo Fernandes Lovecfraft [aka: Mistinguett]

Sanatório.

Deparo-me com o branco, débil padecer, Brancura pura e vazia, que me faz esmorecer. Ao contrário do cego, que só o negro pode ver Nesse quarto em que estou, branco enlouquecer. Dizem que sou doudo, nem sei o por que Mas viver nesta vida, sem ter nem pra quê É difícil viver; sonhar, sentir, amar. Mas não é difícil num sanatório parar. De todos que já ouvi, observei e falei Não encontrei respostas sequer sensatas, À perguntas vãs, sutis e ponderadas. Eis-me aqui, tais perguntas proferindo. Será que demente sozinho estou, Ou com todo o resto do mundo? Por: Amadeo Fernandes Lovecraft [aka: Mistinguett]

Versos Incertos.

Preciso do teu ar, do teu abraço, do teu beijo, do teu cheiro, do teu carinho, do teu jeito! Pois quando ler isto já é tarde, fui embora, agora sinto apenas saudade! Agora resta-me esperar Para em teus braços me entregar Novamente, como uma criança Que aprende a amar. Por: Amadeo Lovecraft.

Por Ti.

Por ti eu desejei, Que toda a minha dor Se transformasse em amor, Como eu jamais pensei. Por ti usei máscaras Que transfiguraram minha existência Fui quem tu desejaras, Ao longo de nossa vivência. Mas o Teatro acabou, Não posso mais ser, Ser o que não sou. Minh’alma anseia pela morte Quem sabe ela me aceite, Quem sabe ela me conforte... Por: Amadeo Lovecraft [Mistinguett]

Purgatório.

Tão insaciável quanto à obsessão, Tão prazeroso quanto à paixão, Esse meu desejo por ti, que Faz-me dilacerar a carne, Acima da minha vontade. Oh! Pare! Pare de seduzir-me! Se não posso ter você, Eu não quero mais sofrer! Chega de iludir-me! Ainda sinto o teu cheiro, Impregnado em minha carne Esse martírio, Esse veneno, Só enfatiza o meu desejo. Tuas entranhas, nunca as toquei, Teus lábios, nunca os beijei, Mas, de teu veneno eu já provei. Mas sei que um dia eu te encontro Talvez noutra vida Mas por ti, à Deus imploro Que me deixes no purgatório. Por: Amadeo Lovecraft [Mistinguett]