O Tempo e Eu.
Sentado e sozinho
Num tímido e invisível banco,
Esperando o Tempo passar.
Calmamente olhando ao redor, triste à esperar...
Uma agonia apertava o peito, embora preferisse não me importar.
Como uma súbita tempestade, daquele transe acordaria.
Só agora enxerguei, o Tempo não viria.
Esqueci-me de viver, de tanto reclamar.
E por erros e acertos
-Oh passado, não posso voltar!
Mas distraído sem percebê-lo
Quando me dei conta no espelho
...Já faltavam-me os cabelos.
Aquela seda de minha pele perdera sua maciez
Do rubor de meu rosto, em rugas profundas se fez.
Queria eu alcançar o Tempo, viver tudo que não vivi,
Tornar reais os sonhos, (sonhar tudo outra vez),
Mas que por medo os reprimi.
Do parasita que me tornei e das promessas que nunca fiz
Indiferente às coisas efêmeras
Abdicar-me de toda ‘beleza’
...Sem medo de ser feliz.
Insatisfeito, com o tempo que meu Tempo deixar.
Pois das sobras que ele me deu, não consegui sequer amar.
Não fujas Tempo meu! Quero-te aqui ao meu lado.
Senta aqui comigo, e sejas meu namorado.
Por: Amadeo Fernandes Lovecraft [Pseudo: Mistinguett]
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Juliano Gadelha