Give me a drink. A drink from myself!


Éros. Kaos. Psiquê pra quê?

O que existe afinal?
O que existe além do Kaos? Além do Éros e da Psiquê?

Pessoas não desejam mais o desejo. Somente o superficial.
Não sentem mais o Desejo, ou não querem mais sentí-lo.
O Kaos?
Este antes temíamos, hoje apesar de ainda existir, é o nosso aliado. Nele não carregamos somente nossas dores e medos, mas nossa indiferença, nossa desistência às coisas humanas.
Nos temos a capacidade de sentir qualquer coisa, mas qualquer coisa não nos satisfaz. Hoje, precisamos do Agora mais do que Nunca. O Agora parece ser mais urgente. Mas, mais urgente de/do que? De sentido?


Aquela música que antes nos embriagava, hoje já não pode ser ouvida/sentida. O barulho constante de nossas imposições na tentativa de defender/resguardar nossa individualidade são maiores que o limite de contato entre o meu corpo e o do outro. Não há mais respeito, ou perdeu-se muito de sua essência. Pois que tenho urgências a serem cumpridas, metas a serem alcançadas. E se o outro não faz parte delas, pisamos em cima dele, o abanamos de nossas vidas como quem abana com indiferença um inseto do nosso rosto. Hoje, na ditadura do poder, quem pensa diferente de meus princípios, é passível de julgamento, de pedras. Ai de mim se não pensar! Ai de mim se não exercer minha individualidade virtual-social! Não viro ninguém! Ai de mim se eu não tiver a estética do homem contemporâneo, serei tachado de bicho! Ai de mim se não for institucionalizado, serei tachado de miserável.

... É tudo tão rápido, tudo tão mecânico, tudo tão virtual... Irreal, surreal... Que se mistura ao mundo real, e num vai-e-vem de sensações, fica somente a duvida de qual mundo vivemos. E buscamos incessantemente por novas sensações, que possam num devir, transportarmo-nos daqui.
Eu até conseguia sentir Éros vivo em mim. Ao menos pensei que fosse. Mas olhando mais atentamente, você percebe que não há música mais tocando para abrilhantar nossos olhos. Não, não há. Desistimos dele há não sei quanto tempo. Até sei, mas o que importa?
As coisas parecem ter mais sentido do que estar perto do outro, sentir, tocar, vivenciar. Desistimos do outro porque nossas experiências não foram boas, porque sempre culpamos Éros pela ameaça sempre presente do Kaos. E aos poucos ele foi enfraquecendo. De tão debilitado que ficou, que passamos a dar sentido a novas configurações, de convivência, de afeto, de experiência, de sexualidade. Os vínculos são outros. Os desejos não são mais de afeto, daquele romantismo do século XVIII. Ninguém mais morre de amores como Byron e outros poetas. Hoje, morremos por não termos sexo suficiente, por não termos parceiros suficientes, família suficiente, trabalho, amigos, problemas, VIDA!

Porque tanto arrependimento?
Porque deixamos de nos importar com os outros ao nosso redor?

Para os pessimistas, o mundo está em Kaos. Para os otimistas, o mundo está melhor do que antes. Sinceramente não consigo ver algo bom ou ruim nisso tudo, apenas VAZIO.
Não conheço bem as outras épocas, mas somente sei que nesta eu não queria estar. Sou antigo, sou romântico no sentido mais chato e meloso que a palavra pode ter.
Hoje mal percebemos, mas o Kaos não é mais temido, mas sim nosso querido amigo. Ainda consigo descrevê-lo: é como um ser vestindo uma segunda pele de cor preta, colada ao corpo, onde nada mais usa além de uma máscara branca, onde desenha o seu rosto, sem expressão alguma. Caminhamos por ele agora. E não me diga que é mentira! Ouça as musicas atuais, as pinturas, cartas, poemas, discursos, e verás que estou certo. Só se fala em desistência, na morte de Éros, na indiferença. Novas configurações, como já citei. Quando existia Éros, aquela garota ingênua e romântica, esperava que um dia seu amor iria chegar. Cedo ou tarde ele vinha, nem que por força de seus pais em dar-lhe um bom partido. Hoje, educamos nossos filhos a não esperarem mais ninguém, a acostumar-se a viver sozinhos, auto-suficientes. Ta, independência, autonomia, são ótimas. Mas eu necessito do outro para me sentir vivo. Sim, de todas as formas possíveis e imagináveis.
Engraçado, eu aqui falando de tragédias cotidianas, que dormem com todos nós e habitam nosso armário para nos atormentar durante o sono. Todos sabemos e aceitamos essas tragédias, mas falar delas, vivenciá-las, deixar que elas emergam da profundidade de nossos corpos, ninguém quer! Todos tem medo do impacto que essa dor causa quando estamos diante dela. É como no Butoh, na dança da morte. É preciso dançar de frente pras paredes, para nossas sombras, porque a dor é mais tênue.
Quem suporta um garotinho depressivo, intenso, que fala da dor, de sua beleza volátil e se compraz com ela? Quem? Só quem verdadeiramente tem consciência de que vivemos no Kaos há muito tempo e não notamos.
Eu gosto de falar da dor, de tragédia, do sofrimento. Ela me toca, me faz estremecer, me sentir vivo. Me faz olhar com mais paixão pelos outros, mesmo que uma paixão decadente.
Éros morreu há muito tempo, e o que restou foi apenas o desejo do desejo.

"É preciso ter o caos dentro de si para dar à luz uma estrela fulgurante!" - Nietzsche

...Falei besteira demais, para um mundo tão rápido, onde bastam suspiros para que meu discurso passe despercebido entre milhares de caracteres vomitados de uma só vez, aqui nesse mundo virtual.

Neste mundo contemporâneo, Tânatos reina no mundo da Psiquê...

Comentários

Igor Queiroz disse…
De fato! é fato! incontestável fato, de que é mais urgente, freneticamente urgente... mais do que nunca, é AGORA ou nunca... a superficialidade é, para nossa época/tempo/GERAÇÃO o alimento do ego... todos eles famintos, meu amigo, todos eles, o meu, o seu, o dele... O NOSSO... mas confesso que o meu é magro assim como o dono, ou ele que me domina, nem sei... ( E essa merda de "..." três pontos que eu não paro de escrever me irrita ). O grande problema ( talvez nem seja uma problema ) do caos é a estética do novo caos. O novo caos é tão barato, tão miserável... deixou de ser um DRAGÃO CUSPIDOR DE FOGO, Para ser um escaravelho, o perigoso enrola bosta. o caos deixou de destruir aqui fora e esta consumindo em mordidas frenéticas por dentro. A nossa alma? :)

Good texto ^^

Ps: escreva mais,
- eu mereço
tu mereces
ele merece
nós merecemos
vós mereceis
eles merecem.

:)

Postagens mais visitadas deste blog

Versos Incertos.

Previedade